Espetáculo mistura memória familiar, teatro documental e investigação histórica sobre heranças do período colonial
Foto: João Maria
Em "Sacarose", o ator e dramaturgo Edu Rosa transforma a própria história familiar em um potente gesto político e teatral. Filho de migrantes nordestinos que trabalharam como bóias-frias nos canaviais do interior paulista, o artista parte de memórias pessoais para investigar os vestígios ainda presentes do passado colonial brasileiro e suas reverberações nas relações de trabalho contemporâneas.
Foto: João Maria
Misturando teatro documental, autobiografia e investigação histórica, Edu Rosa entrelaça lembranças de sua infância com a trajetória da cana-de-açúcar no Brasil — um dos grandes símbolos do desenvolvimento econômico do país. Ao trazer esse elemento para o centro da narrativa cênica, o espetáculo expõe a contradição que marca a formação brasileira: a ideia de progresso construída a partir de um sistema profundamente marcado pela exploração do trabalho e pelo maior mercado de pessoas escravizadas da história moderna.
Inspirado pela relação familiar do artista com o universo do trabalho rural nos canaviais, o espetáculo articula memória pessoal, documentos históricos e depoimentos para refletir sobre as permanências do sistema colonial nas formas contemporâneas de poder e trabalho. A cena se constrói como um espaço de investigação, no qual experiência íntima e análise histórica se entrelaçam para produzir uma reflexão crítica sobre a formação social do país.
Foto: João Maria
A obra nasce de uma pesquisa iniciada em 2018 e teve sua dramaturgia publicada pela Editora da USP, ampliando o alcance do projeto também no campo editorial. Desde então, "Sacarose" vem construindo uma trajetória consistente de circulação por instituições culturais e festivais pelo Brasil.
O espetáculo estreou em 2022 no SESC Ribeirão Preto e, desde então, passou por espaços como o TUSP e unidades do SESC, além de integrar programações de festivais importantes, entre eles o Festival Nacional de Teatro da Amazônia (AM) e o Festival Nacional de Teatro de Passos (MG). Neste último, recebeu os prêmios de Melhor Espetáculo, Melhor Espetáculo em Espaço Alternativo e Melhor Ator, além de indicação ao prêmio de Melhor Dramaturgia.
Foto: João Maria
Ao tensionar a ideia de progresso associada à produção da cana-de-açúcar no Brasil, "Sacarose" propõe ao público uma reflexão que não separa estética e política. O espetáculo reafirma o teatro como espaço de elaboração crítica da memória coletiva, convidando o público a olhar para as marcas do passado que ainda estruturam o presente.
Sobre Edu Rosa
Foto: Brendo Trolesi
O ator, dramaturgo e diretor Edu Rosa construiu sua trajetória no teatro de grupo paulistano. Formado em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com passagem pela Pontificia Universidad Católica de Chile, desenvolveu desde cedo uma pesquisa voltada à dramaturgia documental, à memória e às tensões sociais que atravessam o Brasil contemporâneo. Parte dessa investigação nasce de sua própria história. A relação familiar com o universo da cana-de-açúcar, base econômica da formação colonial brasileira, tornou-se motor criativo e eixo de reflexão sobre trabalho, herança e violência estrutural. Esse recorte biográfico não aparece como ilustração, mas como campo de fricção entre experiência pessoal e história coletiva. Edu foi fundador da Cia Histriônica de Teatro (Campinas-SP) e colaborador de grupos como Cia. da Revista (São Paulo-SP), Cia. Tercer Abstracto (Santiago-Chile) e Núcleo Tumulto de Investigação Cênica (São Paulo-SP). Ao mesmo tempo, ampliou sua presença no audiovisual; integra o elenco da série Tremembé – A Prisão dos Famosos (Prime Video, 2025) e participou da série Os Ausentes (HBO Max, 2021). Criador e intérprete do solo SACAROSE, obra publicada pela Editora da USP e premiada nacionalmente, Edu Rosa representa uma geração de artistas que transita entre o circuito independente, a pesquisa acadêmica e as produções das plataformas de streaming.
FICHA TÉCNICA:
Dramaturgia, Direção e Performance: Edu Rosa
Assistência de Direção: Gustavo Braunstein
Iluminação: Marina Meyer
Sonoplastia: Helô Badu
Composições: Emilie Becker e Helô Badu
Documentário (Captação): Renan Joele
Documentário (Edição): Juliana Yurk
Produção: Jéssica Policastri (Movicena Produções)
SACAROSE
Foto: João Maria
Data: De 02 a 19 de abril
Horário: Quinta à Sábado, às 20h30 | Domingos, às 18h
Local: Alameda Nothmann, 1058 - Campos Elíseos
Ingressos: R$100,00* (apoiador) | R$50,00 (Inteira) | R$25,00 (meia) | R$30,00(
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*O ingresso apoiador você ganha uma camiseta oficial do espetáculo, disponíveis nas cores vermelha e amarela
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