"Rupestre - O Que a Terra Conta" faz curta temporada no Sesc 14 Bis

Montagem da 2 Mililitros Cia. Teatral convida bebês a escutar as histórias guardadas no chão do Brasil

Rupestre - O Que a Terra Conta

Foto: Lyvia Gamerc

A terra tem memória. E, em "Rupestre - O Que a Terra Conta", ela ganha corpo, som, textura e movimento para dialogar com quem está começando a descobrir o mundo. Novo espetáculo da 2 Mililitros Cia. Teatral, voltado para bebês de até três anos, a montagem estreia dando continuidade à pesquisa continuada do grupo em criações para a primeira infância e encerra uma trilogia inspirada nos elementos da natureza. As apresentações acontecem no Sesc 14 Bis.

Desta vez, o ponto de partida é a trajetória da arqueóloga Niède Guidon e as pinturas rupestres do Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, um dos mais importantes sítios arqueológicos do mundo. Reconhecida internacionalmente, Niède dedicou sua vida à preservação e ao estudo das marcas deixadas por povos ancestrais nas rochas da região, contribuindo de forma decisiva para a compreensão da presença humana nas Américas. É dessa escuta atenta às camadas do tempo que nasce a poética do espetáculo.

Com direção e dramaturgia de Júlia Mariano e Thiane Lavrador, que também estão em cena, "Rupestre - O Que a Terra Conta" não se propõe a narrar uma biografia ou explicar conceitos arqueológicos. O desafio é outro: transformar memória ancestral em linguagem sensível. “Nosso grande desafio artístico é transformar qualquer tema em linguagem poética. O espectador não deve esperar uma narrativa linear que vá ‘contar uma história’, mas sim uma criação inspirada por essas fontes”, afirma Júlia.

Rupestre - O Que a Terra Conta

Foto: Lyvia Gamerc

A montagem parte de uma forte pesquisa corporal e imagética. Movimentos inspirados nas formas da arte rupestre se combinam a diferentes materialidades e sonoridades, criando uma paisagem sensorial que envolve o público. O cenário criado por Lorenza Gioppo propõe uma verdadeira imersão: 56 almofadas de diversos tamanhos, cinco tapetes e uma árvore de 1,80m transformam o espaço à escala dos pequenos espectadores. Para quem mede até um metro de altura, a experiência é monumental.

Os figurinos assinados por Karine Lopes, com técnicas mistas e predominância de tingimento natural, dialogam com a terra e suas texturas. A trilha sonora original de Igor Souza e o desenho de luz de Ariel Rodrigues – pensado como elemento estrutural da cena – ajudam a criar atmosferas que evocam transformações da paisagem.

“Temos uma cena em que luz e som remetem à transformação da paisagem do sertão. Isso não precisa ser dito literalmente. Para nós é isso que quer dizer, mas cada pessoa vai construir sua própria interpretação. Essa é a beleza do teatro”, comenta Thiane.

Rupestre - O Que a Terra Conta

Foto: Lyvia Gamerc

Desde 2017, a 2 Mililitros Cia. Teatral desenvolve uma pesquisa dedicada à primeira infância. Em trabalhos anteriores, como Os Céus e Suas Histórias e Pororoca, o grupo investigou os astros e as águas, sempre conectando natureza e figuras femininas de relevância histórica ou simbólica. Em "Rupestre - O Que a Terra Conta", a terra fecha o ciclo.

Ficha Técnica:

Direção e Dramaturgia – Júlia Mariano e Thiane Lavrador. Elenco – Júlia Mariano e Thiane Lavrador. Figurinos – Karine Lopes. Trilha Sonora – Igor Souza. Iluminação – Ariel Rodrigues. Cenografia – Lorenza Gioppo. Boneco – João Araújo. Material Audiovisual – Lyvia Gamerc. Produção – 2 Mililitros Cia. Teatral. Assistência de Produção – Isadora Petrin (PiTô Produções). Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta. Agradecimentos – Lab POPI - Coletivo Antônia (Brasília/DF) e Instituto Brasileiro de Teatro.

RUPESTRE – O QUE A TERRA CONTA

Rupestre - O Que a Terra Conta

Foto: Mariah Bittar

Temporada: 21 a 29 de março
Horário: Sábados e Domingos, 15h
Local: Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista
Ingressos: Gratuito | Retirada de senhas 30 minutos antes do início da apresentação
Classificação: Livre
Duração: 40 minutos

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