Com curadoria de Ana Carolina Ralston, mostra apresenta trabalhos de Tamikuã Txihi, Gustavo Utrabo, Hugo Fortes e Henrique Sur
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Um dos edifícios emblemáticos do centro de São Paulo passa a abrigar um novo espaço dedicado ao encontro entre arte, arquitetura e design. O LAB MR inaugura seu espaço permanente no Edifício Itália com a exposição Corpo Território, com curadoria de Ana Carolina Ralston e trabalhos de Tamikuã Txihi, Rodrigo Silveira, Gustavo Utrabo, Hugo Fortes e Henrique Sur.
Criado por Melina Romano como um campo de investigação entre diferentes práticas criativas, o LAB MR inicia ali uma nova etapa de suas atividades. A abertura coincide com o início da programação curatorial do projeto para 2026, que propõe observar como práticas contemporâneas de criação se relacionam com paisagem, cultura material e modos de habitar.
Tamikuã Txihi, escultura | Foto: Divulgação
De acordo com a curadora Ana Carolina Ralston, a exposição surge de um conceito ligado a movimentos feministas comunitários indígenas de Abya Yala, denominação utilizada por povos originários para se referir ao território da América Latina, que compreendem o corpo como a primeira extensão territorial de vivências, memórias e lutas. Para ela, corpo-território é a compreensão de que o espaço não é algo externo a nós, mas algo que nos constitui e que constituímos em reciprocidade. E ainda observa: se a arquitetura organiza o espaço, o design articula suas funções e a arte tensiona seus significados, juntos constroem uma ética do habitar e revelam que todo espaço é político e afetivo.
Henrique Sur, serie ilhados, cerâmica, terracota e esmalte | Foto: Divulgação
“Criei o LAB MR como um espaço que une pensamento e prática. Ao convidar artistas e curadores, ele se torna um lugar de pesquisa, crítica, experiência e documentação. No encontro entre ação e reflexão, o LAB MR convida o público a atravessar a exposição como parte de um processo em andamento.” — Melina Romano
Bio – Artistas
Gustavo Utrabo
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Formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela UFPR em 2010. Contribuiu em palestras e outras atuações em instituições como Harvard GSD, IIT Chicago, University of Hong Kong, Future Architecture Platform no museu MAO em Ljubljana, RIBA em Londres e FAU-USP em São Paulo, entre outros. Gustavo foi professor assistente da Escola da Cidade em São Paulo, professor convidado no programa MA da Universidade de Hong Kong e também na IIT College of Architecture em Chicago. Por seis anos Gustavo Utrabo foi sócio fundador da Aleph Zero, encabeçando os principais projetos efetuados pelo escritório.
Hugo Fortes
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É artista visual, curador, designer e professor associado na Universidade de São Paulo. Como artista, apresentou seu trabalho em mais de 15 países, em instituições como o Georg Kolbe Museum, o Ludwig Museum Koblenz, a Galerie Artcore, a Columbus State University, a Royal Danish Academy of Fine Arts, o Paço das Artes, o Videobrasil e o Centro Cultural Recoleta, entre outros.
De 2004 a 2006, viveu em Berlim com bolsa do DAAD - German Academic Exchange Service para estágio de doutorado. Em 2006, apresentou a tese “Poéticas Líquidas: a água na arte contemporânea”, premiada com o Prêmio Nacional CAPES de Tese em Artes no Brasil. Em 2016, tornou-se professor titular com a tese de livre-docência “Sobrevoos entre Homens, Animais, Tempo e Espaço: reflexões sobre Arte e Natureza”, na Universidade de São Paulo, onde leciona desde 2008. Sua pesquisa, tanto como artista quanto como docente, concentra-se nas relações entre arte e natureza, com ênfase na paisagem, nos animais e na água.
Rodrigo Silveira
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É designer e marceneiro baseado em São Paulo, onde mantém sua oficina em um galpão na Barra Funda. Desenvolve e produz peças de mobiliário em madeira maciça, orientadas por linhas racionais, marcenaria tradicional e um compromisso rigoroso com a durabilidade — entendida tanto como excelência construtiva quanto como atemporalidade do desenho.
Sua prática articula fazer e pesquisa. A investigação de técnicas genuinamente brasileiras de trabalho em madeira integra sua rotina, realizada in loco em diferentes territórios, de comunidades ribeirinhas na Amazônia a povos indígenas no Xingu. Seu mobiliário integra coleções particulares no Brasil e no exterior e, desde 2017, faz parte do acervo permanente do MASP.
Tamikuã Txihi
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É uma mulher indígena Pataxó, residente na Terra Indígena Jaraguá, em São Paulo, onde vive entre o povo Guarani Mbya. Ela é uma líder indígena, artista visual, ativista ambiental, escultora, ceramista e bacharel em Serviço Social. Tamikuã é membro do Feminismo Comunitário de Abya Yala e sua prática artística está profundamente enraizada na preservação da vida, dos territórios e dos conhecimentos dos povos originários. Seu trabalho utiliza múltiplas linguagens artísticas, incluindo vídeo, pintura, escultura e intervenção urbana, para promover a proteção dos corpos e territórios indígenas. Sua arte homenageia as memórias e histórias transmitidas por sua mãe e avó, refletindo a resistência e resiliência na defesa dos direitos dos povos originários de Pindorama (Brasil).
Tamikuã já expôs em importantes instituições, como a Pinacoteca de São Paulo, o Itaú Cultural e o Museu da Língua Portuguesa. Em 2022, foi indicada ao Prêmio PIPA e fundou o espaço artístico-cultural "Toca da Onça Oka" na Tekoa Itakupe, Terra Indígena Jaraguá. A "Oka" foi construída com técnicas indígenas e tem a onça pintada como símbolo de luta e resistência, representando a mãe Terra.
Henrique Sur
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É artista visual cuja produção investiga as relações entre mudança do clima, climatologia e elevação do nível da água. Seu trabalho articula desenho, gravura e escultura a partir da combinação de dados, registros e artigos científicos, aproximando campos artísticos e científicos. Em suas obras, explora recursos como sobreposição, justaposição, colagem e procedimentos escultóricos, tendo como eixos recorrentes as ideias de linha tênue e linha do horizonte. É bacharel em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e, desde 2026, é mestrando em Poéticas Visuais na ECA-USP. Participou de exposições coletivas como Clínica para Artistas: Ciclo Expositivo (Galeria Tato, São Paulo, 2024), 20 Anos do Bando de Barro (Centro Cultural da UFRGS, Porto Alegre, 2024), Encontros y Senderos (Galeria Quarta Parede, São Paulo, 2024), 1ª NANO ART HUB (Cidade Center Norte, São Paulo, 2023–2024) e Amazônia Azul: Rios e Oceano (Butantã Shopping, São Paulo, 2022).
EXPOSIÇÃO CORPO-TERRITÓRIO
Rodrigo Silveira, Cadeira queimada_02 | Foto: Divulgação
Abertura: 28 de março de 2026 (Sábado, das 14h às 17h)
Visitação: Até 23 de maio de 2026
Horário: Terça a Sábado, das 11h às 17h
Local: Av. Ipiranga, 344, conj. 311C – 31º andar
Ingressos: Gratuito
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