Inez Viana dirige e assina a primeira adaptação do romance homônimo de Andréa Del Fuego.
Foto: Rodrigo Menezes
“A Pediatra” é a primeira adaptação para os palcos do romance homônimo que consagrou Andréa Del Fuego, vencedora do Prêmio José Saramago, idealizada por Inez Viana e Luis Antonio Fortes. Sucesso entre leitores, traduzido para sete idiomas, o romance foi considerado uma das melhores leituras de 2022 pelos críticos literários. A montagem teatral conta com adaptação e direção de Inez Viana e elenco formado por Debora Lamm e Luis Antônio Fortes.
Debora Lamm interpreta uma pediatra que, paradoxalmente, odeia crianças e suas mães. Descrita como uma “vilã de humor vil”, ela é uma mulher privilegiada, classista e amoral cuja má conduta profissional e falta de empatia a levam a conflitos éticos e humanitários.
Foto: Rodrigo Menezes
“Uma personagem como a Cecília encontrar uma atriz como Debora Lamm, é como um astronauta que finalmente encontra o planeta do seu destino. É raro. A personagem foi escrita para uma atriz como Debora Lamm, que pilota os pólos humanos na mesma intensidade. Para uma diretora como Inez Viana, que tão bem desenha a crueldade do desejo humano. Não é sempre que a literatura encontra o corpo que ela invoca.” – Andréa Del Fuego.
Publicado em 2021, A Pediatra consolida Andréa Del Fuego como uma das vozes mais inquietantes da literatura brasileira contemporânea. O romance acompanha Cecília, uma médica pediatra que, a partir de uma prática clínica aparentemente ética e racional, passa a se envolver em uma série de decisões que tensionam de forma radical os limites entre cuidado, controle e violência.
Foto: Rodrigo Menezes
Narrada em primeira pessoa, a obra constrói um relato perturbador, no qual a frieza do discurso científico contrasta com a brutalidade dos atos descritos. A protagonista é uma mulher instruída, bem-sucedida e socialmente integrada, mas cuja relação com crianças, mães e corpos infantis revela um desejo profundo de poder e manipulação. Ao se apropriar do vocabulário médico e da autoridade institucional da medicina, Cecília legitima ações que desafiam qualquer noção humanista de cuidado. O corpo – especialmente o corpo infantil – aparece como território de disputa, silenciamento e intervenção, articulando temas como maternidade compulsória, biopolítica, misoginia e abuso de poder. Andrea del Fuego constrói essa personagem sem recorrer a explicações psicológicas fáceis ou a julgamentos morais explícitos, o que intensifica o desconforto do leitor, constantemente colocado diante de um dilema ético sem mediações.
Foto: Rodrigo Menezes
A encenação de Inez Viana toca em questões que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos entre classes e culturas, a escolha de uma profissão sem paixão, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade. Pensando nesses temas, o espetáculo pretende envolver o público de maneira cúmplice, onde Cecília contará sua história, o que a ajudará a entender seus conflitos e anseios. A montagem busca ainda promover debates sobre papéis sociais e temas urgentes como aborto e ética profissional.
“Mulher privilegiada, classista, cheia de preconceitos, Cecília não percebe que sua má conduta se volta contra si e, obviamente, contra todas as pessoas à sua volta, perdendo uma oportunidade de praticar a medicina de forma mais humanizada. E aí há uma identificação geral quando pacientes de todas as classes já sofreram e sofrem por negligência médica. No Brasil, médicas e médicos, sobretudo em hospitais públicos onde a sobrecarga e o estresse estão sempre presentes, têm seus trabalhos afetados por atendimentos apressados e impessoais, sentido por seus pacientes. Mas as vezes não é uma escolha, como é para Cecília, que vai na contramão do que seria humanizado, como propõe a figura do outro pediatra Jaime, que se torna seu rival.” – Inez Viana.
Foto: Rodrigo Menezes
A respeito de suas personagens, Debora Lamm comenta que: "Cecília é uma pessoa amoral, que estudou medicina pela facilidade de seu pai ser um médico benquisto por colegas e pacientes, mas ela mesmo não tem o exercício do afeto e o tempo inteiro testa os limites da ética, vivendo à margem do humano." Já Luis Antonio Fortes diz que: "Celso é um cara de caráter duvidoso e amante de Cecília, a pediatra que fez o parto de seu filho Bruninho, uma criança por quem ela se vê encantada. Mas Celso também está encantado por Cecília."
Ficha técnica
Texto: Andréa Del Fuego
Direção artística e adaptação dramatúrgica: Inez Viana
Elenco: Debora Lamm e Luis Antonio Fortes
Direção de produção: Bem Medeiros e Luis Antonio Fortes
Produção executiva: Matheus Ribeiro
Assistência de direção: Lux Nègre
Colaboração artística: Denise Stutz
Cenário: Aurora dos Campos
Figurino: Carla Costa
Direção musical: Navalha Carrera
Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni
Assessoria de imprensa: Ney Motta
Fotografia: Rodrigo Menezes
Design: Laryssa Ramos
Idealização: Inez Viana e Luis Antonio Fortes
Realização: Sesc SP
Produção: Eu + Ela e Suma Produções
A PEDIATRA
Foto: Rodrigo Menezes
Temporada: De 12 de março a 18 de abril
Horário: Quintas, Sextas e Sábados, às 20h30
Local: R. Pais Leme, 195 - Pinheiros
Ingressos: R$ 50,00 (inteira) | R$ 25,00 (meia) | R$ 15,00 (credencial plena).
Classificação: 12 anos
Duração: 60 min
- Dia 03 de abril não haverá sessão (feriado)
- Sessões Extras: Dias 27 de março, 10 e 17 de abril, às 16h
- Sessão com LIBRAS: Dias 17 e 18 de abril – 3 sessões
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