Montagem narra a história de um tratador e capataz de matadouro ao criar grande relação de amizade e afeto com o boi que será abatido.
Foto: Divulgação
A Hora do Boi, com direção de André Paes Leme sobre o texto de Daniela Pereira de Carvalho, narra a história de Seu Francisco, um tratador e capataz de matadouro que se encontra numa encruzilhada ao criar grande relação de amizade e afeto com Chico, boi nascido e criado sob seus cuidados mas que, um dia, deverá ser abatido.
A performance visceral de Vandré no espetáculo que reflete sobre a igualdade entre os seres vivos, recebeu menções e indicações na cena teatral. “A Hora do Boi” foi eleito um dos melhores espetáculos de 2023 na retrospectiva do “Segundo Caderno”, do jornal “O Globo”. O espetáculo também foi indicado ao 34º Prêmio Shell pelo Figurino (Carlos Alberto Nunes) e ao 18º Prêmio APTR (Associação de Produtores de Teatro) pela Direção de Movimento (Paula Aguas e Toni Rodrigues).
Foto: Lorena Zschaber
“Fico feliz e agradecido pela oportunidade de retornar aos palcos com uma história que desloca o ponto de vista humano, antropocêntrico, e dá voz ao animal que é tão subjugado e explorado na nossa sociedade. Uma fagulha de esperança e amor por relações mais igualitárias e respeitosas entre espécies e dentro da nossa própria espécie humana. O Teatro a serviço de transformações urgentes e fundamentais na nossa maneira de estar e viver no mundo.” comenta Vandré Silveira.
“Precisamos ampliar o entendimento de que todos os seres vivos são igualmente importantes, buscar esse diálogo entre os homens”, reflete Vandré, que foi buscar os escritos e histórias de São Francisco de Assis sobre a natureza dos seres vivos para dar sentido ao espetáculo. Para o homem Francisco, nascido em Assis, na Itália, nos idos do Século XII, ninguém é suficientemente perfeito que não possa aprender com o outro e, ninguém é totalmente destituído de valores que não possa ensinar algo ao seu irmão. Francisco enxergava todos os seres vivos como igualmente importantes e tinha profunda relação com a natureza e os animais.
Foto: Lorena Zschaber
Seguindo com este ensinamento, a trama apresenta dois personagens: Seu Francisco e Chico, que estabelecem uma ligação afetiva de profunda empatia e amizade, sentimentos que põem em cheque toda a objetividade das funções de Seu Francisco, como um matador de bois. Apegado ao boi, Seu Francisco, apavorado, vê se aproximar a hora do abate de Chico – única criatura com a qual estabeleceu um vínculo na vida. Seu Francisco nunca deixou de cumprir ordens. Manso e submisso, abateu centenas e centenas de cabeças de gado a mando dos patrões – sem sentir nada, nem refletir sobre seus atos. A amizade com Chico, entretanto, mudou sua vida. É alguém com significado. Ao seu lado, o boi Chico vive a agonia do condenado, injustamente, no corredor da morte, com a peculiaridade de amar o próprio algoz e depositar, nesse laço de afeto, todas as suas esperanças de salvação.
Sobre Vandré Silveira:
Foto: Victor Affaro
Formou-se no Curso Profissionalizante de Teatro da Fundação Clóvis Salgado (CEFAR- Palácio das Artes), em Belo Horizonte. No teatro atuou nos espetáculos: “Casa Apodrecida”, direção de Leonardo Bertholini; “A vida dela”, direção de Delson Antunes; “O Homem Elefante”, direção de Cibele Forjaz e Wagner Antonio; “Vermelho Amargo”, direção de Diogo Liberano; “Momo e o senhor do tempo”, direção de Cristina Moura; “Céu sobre chuva ou Botequim”, direção de Antonio Pedro Borges; “Amor e Restos Humanos”, direção de Carlos Gradim; “O Menino que Vendia Palavras”, direção de Cristina Moura; “Dois Jogos: Sete Jogadores” e “Trans Tchekhov”, direção de Celina Sodré. No cinema atuou no curta “Bárbara”, de Carlos Gradim, e recebeu os Prêmios de Melhor Ator dos Festivais de Cinema: Primeiro Plano (Juiz de Fora, MG); Ibero-Americano de Cinema/Curta-SE (Sergipe); For Rainbow (Fortaleza, Ceará) e VI Festival de Cinema de Maringá (Paraná). Atuou nos longas: “Rio Mumbai”, direção de Pedro Sodré; e “Ponto Org”, direção de Patrícia Moran. Participou dos seriados “A Segunda Vez”, “Os Gozadores” e “Bicicleta e Melancia”, no Multishow; “Amor Veríssimo”, no GNT; “Caipirinha Sunrise”, na TV Azteca; e “Lilyhammer” para o Netflix. Com o monólogo “Farnese de Saudade”, dirigido por Celina Sodré, venceu o Prêmio de Melhor Interpretação no Festival Home Theatre 2014, e o Prêmio de Melhor Cenário no 2º Prêmio Questão da Crítica, além de ser indicado ao 25º Prêmio Shell na categoria Melhor Cenário, e no Prêmio Questão da Crítica na Categoria Especial, pela pesquisa do projeto. Recentemente, esteve no ar na novela “Jesus”, na Rede Record, interpretando Lázaro. Em “A Dona do Pedaço” (Globo, 2019), deu vida ao advogado Dr. Tibério, na reta final da trama. Foi Antonio, de “Vai na Fé” (Globo, 2023). Aguarda a estreia de “D. Beja” (Max) em 2026, como o capitão Moacir, e do filme “Nosso Lar 3 – Vida Eterna”, de Wagner de Assis, como Martinho (em produção).
Ficha Técnica
Texto: Daniela Pereira de Carvalho
Idealização e Atuação: Vandré Silveira
Direção: André Paes Leme
Direção de Movimento: Paula Aguas e Toni Rodrigues
Assistência de Direção: Paula Aguas e Toni Rodrigues
Cenografia e Figurinos: Carlos Alberto Nunes
Cenógrafa e Figurinista Assistente: Arlete Rua
Iluminação: Renato Machado e Anderson Ratto
Trilha Sonora: Lucas de Paiva
Preparação Vocal: Claudia Elizeu
Voz em off (patrão): Claudio Gabriel
Design Gráfico: Raquel Alvarenga
Fotografias: Callanga e Lorena Zschaber
Gestão de Conteúdo: Michele Louvores
Produção Executiva: Márcia Andrade
Direção de Produção: Sandro Rabello
Realização: Oriente Produções e Diga Sim Produções
A HORA DO BOI
Foto: Divulgação
Data: Até 26 de Abril
Horário: Sextas e Sábados, às 20h | Domingos, às 19h
Local: Rua Rui Barbosa, 664 - Bela Vista
Ingressos: R$10,00 (inteira) | R$ 50,00 (meia) | Compre aqui
Classificação:Livre
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