Peça "Sizwe Banzi Está Morto" reflete sobre a desumanização presente na segregação racial

Com direção de Ricardo Rodrigues, é montado a partir de diálogo com a figura dos djélis do oeste africano, conhecidos entre nós como griôs.

Sizwe Banzi Está Morto

Foto: Kim Leekyung

Escrita por Athol Fugard, John Kani e Winston Ntshona em 1972, a peça Sizwe Banzi Está Morto aborda as injustiças do apartheid na África do Sul. Interessado em discutir a opressão à população negra, presente até os dias de hoje, o ator Réggis Silva decidiu montar o espetáculo. A temporada, composta de 20 apresentações, acontece no Galpão do Folias. Duas sessões serão acessíveis a pessoas com deficiência, com recursos de Libras e audiodescrição.

Réggis Silva juntou-se a Carlos Francisco (ator do longa-metragem “O Agente Secreto” e considerado melhor ator no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2023 por Marte Um), e ao diretor Ricardo Rodrigues (da aclamada peça Prot{agô}nistas – O Movimento Negro no Picadeiro), para conduzir uma experiência no palco. O trabalho retoma o estilo narrativo da África Ocidental, centrado na figura dos djélis/griôs, os grandes guardiões da memória de seu povo. A trilha sonora é assinada pelo rapper Rincon Sapiência.

Sizwe Banzi Está Morto

Foto: Kim Leekyung

"O eixo da criação está no trabalho dos atores. Por isso, queremos destacar o poder das palavras. Nesse sentido, a ideia é que nada tire o foco da interpretação, o que vai resultar em um cenário nada excessivo, com elementos multiuso”, diz Réggis Silva.

Na trama, em algum momento durante as quatro décadas sombrias de apartheid, o estúdio fotográfico de Styles, em Porto Elizabeth, se tornou o epicentro de uma saga humana pungente. Marcado pelo estigma da desconfiança, Sizwe Banzi busca refúgio sob o olhar atento das lentes e o estalar dos flashes.

Sizwe Banzi Está Morto

Foto: Kim Leekyung

Entretanto, ele é pressionado a alterar sua identidade para se adequar às regras opressivas da sociedade em que vive. Preocupado com o sustento de sua família, Banzi abdica de seu próprio nome e legado, assumindo a identidade de Robert Zwelinzima, um homem morto, que lhe oferece a perspectiva de um novo começo.

Para Réggis, essa situação ultrapassa a simples luta pela sobrevivência. Trata-se de um reflexo da batalha incessante pela dignidade em meio a uma sociedade racista. “Precisamos conviver com a segregação diariamente, em todos os lugares e momentos. Basta olhar em volta: quantos negros circulam nos lugares que você frequenta?”, comenta o artista.

Ficha Técnica

Texto original: Athol Fugard, John Kani e Winston Ntshona
Tradução: Adriana Marcolini
Direção: Ricardo Rodrigues
Assistência de direção e preparação de Ator: Juliana Jardim
Elenco: Carlos Francisco e Réggis Silva
Músicas: Rincon Sapiência
Iluminação: Túlio Pezzoni
Cenografia: Bira Nogueira
Figurino: Leide de Castro
Preparação Corporal: Vanessa Soares
Operação de Luz: Nicolas Marchi
Operação de som: André Moro
Fotos: Kim Leekyung
Produção executiva: Renata Jardim e Renato Modesto
Designer: Victor Bittow
Redes Sociais: Kauã Tripoloni
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto - Márcia Marques
Idealização: Réggis Silva

SIZWE BANZI ESTÁ MORTO

Sizwe Banzi Está Morto

Foto: Kim Leekyung

Temporada: 26 de fevereiro a 29 de março
Horário: Quinta a Sábado, às 20h | Domingos, às 19h
Local: Rua Ana Cintra, 213 - Campos Elíseos
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) | R$ 10,00 (meia) | Compre aqui
Classificação: 14 anos Duração: 70 minutos

  • Atividades paralelas,/span>

Além do espetáculo, o projeto prevê bate-papos entre o público e o elenco sobre o processo criativo e temas artísticos, narrativos, históricos e sociais relevantes à obra.

Outra atividade é a oficina de formação Teatralidades Negras, ministrada pelo historiador e doutor em História Salloma Salomão. Serão disponibilizadas 50 vagas para um público diverso. Nos encontros, guiados pelas obras de Leda Maria Martins e Adriana Paixão, serão debatidos temas como a exploração da negritude, a análise de obras de artistas negros, as performatividades afrodiaspóricas e o estudo dos teatros negros e suas teatralidades, culminando em uma discussão sobre dramaturgias negras contemporâneas.

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