Peça "Água Doce", da Cia da Tribo, faz circulação gratuita por São Paulo

Montagem traz reflexão sobre rios soterrados da cidade de São Paulo

Água Doce

Foto: Bruno Pucci

Com 30 anos de estrada e um trabalho de pesquisa em teatro baseado num profundo mergulho na cultura popular, a Cia da Tribo dá a partida em sua circulação por parques e CÉUS da Região Metropolitana de São Paulo, apresentando a peça de teatro para toda a família "Água Doce".

Criada em 2018, a obra tem trajetória de sucesso: Melhor Espetáculo de Rua pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e SP de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem na categoria Sustentabilidade. A companhia circulou por todo o Brasil, realizando aproximadamente 180 apresentações ao longo desses oito anos.

Água Doce

Foto: Bruno Pucci

"Água Doce" conta a história do mito da Iara e de outros seres folclóricos presentes nas comunidades ribeirinhas. O espetáculo trata da relação do homem com a água doce, a partir de quatro personagens – Iara, Abaré, Cacira e Xirú – que se aventuram para proteger os rios.

O grupo dos diretores Milene Perez (atriz, artista educadora, autora, figurinista e produtora teatral ) e Wanderley Piras (ator, autor, artista educador e bonequeiro ) recorre a figuras da Cultura Popular brasileira para conscientizar o público sobre a imensidão de rios que circulam abaixo dos nossos pés. “Com este trabalho nós lançamos um olhar para os nossos rios, que apesar de escondidos, continuam lá e são referências culturais”, afirmam Milene e Wanderley.

Segundo Milene, o processo de criação da peça ganhou força a partir de uma experiência em sala e aula. Ela e Wanderley, ao realizar uma aula de artes para crianças em um parque, escutaram um aluno dizendo estar ouvindo o som de água corrente. Os professores levantaram uma tampa de bueiro e descobriram, junto com à turma, que abaixo deles corria um rio.

Água Doce

Foto: Bruno Pucci

“Todos nós ficamos olhando para ele e a experiência foi muito impactante, além de ter mudado a relação que aquelas crianças tinham estabelecido com os rios até então, que muitas vezes são tidos apenas como sujos ou causadores de enchentes”, conta a diretora. A partir desse fato, a Cia da Tribo buscou nas lendas e costumes dos povos ribeirinhos os elementos para a criação do trabalho.

Os bonecos, que representam figuras folclóricas como Iara, a Mãe do Rio; Cabeça de Cuia; Jaguarão; Pirarucu e Cobra Grande foram confeccionados pelo artista plástico Adriano Castelo Branco a partir de materiais reutilizáveis. “Os bonecos chamam tanta atenção que até deixamos eles à mostra do público depois das apresentações, criando uma espécie de exposição ao ar livre”, diz Milene.

Os artistas da Cia do Tribo fazem uso da linguagem poética para que o público entenda por conta própria as questões que estão sendo tratadas. Uma das alegorias da peça é de Iara, que vive exilada na pororoca (o encontro das correntes de um rio com as águas oceânicas) e que observa como a inveja e a ganância, podem fazer mal à natureza, matando os peixes e secando os rios.

“São muitos os rios soterrados e retificados na cidade, como Anhangabaú, Ipiranga, Tamanduateí, entre outros”, contam Milene e Wanderley. “São rios caudalosos colocados em canos”, afirmam. Os artistas complementam que o processo de retificação é muito agressivo, pois os cursos dos rios são muito sinuosos e, para que eles cumpram uma rota específica, tiveram as margens cimentadas ou foram encanados, a partir de uma justificativa de erguimento da cidade.

Ficha Técnica

Texto e Direção: Milene Perez e Wanderley Piras.
Atuação: Alef Barros, Geovana Oliveira, Rafael Piras, Roberta Viana, Sora Senna e Wando Piras.
Bonecos: Adriano Castelo Branco.
Fotografia: Arô Ribeiro e Bruno Pucci
Trilha sonora: Rogério Almeida.
Operação de som: Alexander Nishiyama e Diogo Vieira.
Contrarregra: Gabriel Bueno e Marcelo Tonini.
Assistente de Produção : Rafael Pira
Produção: Cia da Tribo


ÁGUA DOCE

Água Doce

Foto: Bruno Pucci

Ingressos: Gratuito

Classificação: Livre

Duração: 50 minutos

Programação

FEVEREIRO

20 de fevereiro, às 10 e às 14h

CEU Quinta do Sol
Rua Otto Cordes - Parque Cisper

22 de fevereiro, às 16h

Parque Tiquatira
Av. Governador Carvalho Pinto, s/n - Vila São Geraldo

27 de fevereiro, às 10 e às 14h

CEU Inácio Monteiro
R. Barão Barroso do Amazonas, s/n - Conj. Hab. Inácio Monteiro - SP

MARÇO

01 de março, às 16h

Parque Vila do Rodeio
R. Igarapé da Bela Aurora, 342 - Conj. Hab. Inácio Monteiro - SP

08 de março, às 16h

Parque do Trote
Av. Nadir Dias Figueiredo, s/n° e Rua Quirino, 905 – Vila Guilherme - SP

13 de março, às 16h

Parque do Pinheirinho D’Água
Estr. das Taipas, s/n - Jaraguá, São Paulo - SP

ABRIL

12 de abril, às 16h

Parque Santo Dias
Tv. Jasmin da Beirada, 72 - Conj. Hab. Instituto Adventista - SP

19 de abril, às 16h

Parque Chácara do Jockey
Av. Prof. Francisco Morato, 5300 - Vila Sonia - SP

26 de abril, às 16h

Parque Morumbi Sul
R. Nossa Sra. do Bom Conselho - Chacara Nossa Sra. do Bom Conselho – SP

MAIO

03 de maio, às 16h

Parque Raposo Tavares
R. Telmo Coelho Filho, 200 - Jardim Olympia - SP

31 de maio, às 16h

Parque Colina de São Francisco
Av. Dr. Cândido Motta Filho, 751 - Cidade São Francisco - SP

JUNHO

28 de junho, às 16h
Parque Senhor do Vale
R. Blas Parera, 487 – Jaraguá - SP

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