Mostra aproxima cinemas do Brasil e da Coreia do Sul na Cinemateca Brasileira

Programação reúne filmes de Leon Hirszman e Park Kwang-su.

A rebelião, de Park Kwang-su

Foto: Reprodução

A Cinemateca Brasileira realiza a mostra O realismo crítico de Leon Hirszman e Park Kwang-su, em parceria com o Centro Cultural Coreano no Brasil e o Korean Film Archive. A programação reúne obras fundamentais dos dois cineastas que não só marcaram a história cultural em seus países, mas também evidenciaram o papel do cinema como linguagem artística, política e histórica.

A mostra propõe um diálogo entre as trajetórias de Leon Hirszman, no Brasil, e Park Kwang-su, na Coreia do Sul, cujas obras foram atravessadas por contextos de regimes autoritários e por forte engajamento político. Apesar das distâncias geográficas, suas filmografias se aproximam ao abordar temas como trabalho, democracia, mobilização social e relações de classe.

Na obra de Leon Hirszman, filmes como Eles não usam black-tie (1981) e ABC da Greve (1979–1990) evidenciam um cinema atento à organização da classe trabalhadora e aos conflitos sociais do Brasil urbano e industrial, enquanto São Bernardo (1972) amplia esse olhar para as estruturas de poder no Brasil rural.

Chilsu e Mansu, de Park Kwang-su

Foto: Reprodução

Park Kwang-su é representado por títulos como Chilsu e Mansu (1988), considerado um marco do Korean New Wave, Eles também são como nós (1990), ambientado em uma cidade mineradora marcada pela repressão política, e O extraordinário jovem Jeon Tae-il (1995), baseado em uma história real que se tornou símbolo da luta por direitos trabalhistas na Coreia do Sul.

Ao colocar essas obras em diálogo, a mostra convida o público a refletir sobre como cinema, política e história se entrelaçam em diferentes contextos nacionais, revelando aproximações entre dois países distantes geograficamente, mas próximos em suas experiências sociais e geopolíticas.

O apoio do Centro Cultural Coreano no Brasil reforça o compromisso institucional da organização em ampliar o intercâmbio cultural e cinematográfico entre Brasil e Coreia do Sul, promovendo o acesso do público brasileiro a obras ainda pouco difundidas no país e estimulando leituras comparadas entre histórias, estéticas e contextos políticos distintos.

“Acreditamos que o cinema é uma ponte poderosa entre culturas. Apoiar uma mostra como esta é uma forma de aprofundar o diálogo entre Brasil e Coreia do Sul, mostrando como diferentes sociedades enfrentaram desafios semelhantes e como o cinema foi um instrumento fundamental de reflexão, memória e transformação social”, afirma Cheul Hong Kim, diretor do Centro Cultural Coreano no Brasil.

“Estamos muito contentes por realizar mais uma mostra dedicada ao cinema coreano clássico. A aproximação da obra de Park Kwang-su com a de Leon Hirszman funciona como uma chave de leitura mútua, na qual as filmografias se iluminam reciprocamente, permitindo a ampliação do acesso à obra de Park, cujos filmes circularam pouco no Brasil, e um olhar renovado sobre a obra de Hirszman. A partir desse diálogo, a mostra coloca em relação dois cineastas centrais em seus respectivos países, destacando pontos de contato entre os momentos históricos em que atuaram, as formas de produção, os temas e as estratégias estéticas”, destaca Maria Dora Mourão, diretora-geral da Cinemateca Brasileira.

MOSTRA " O REALISMO CRÍTICO DE LEON HIRSZMAN E PARK KWANG-SU"

Eles também são como nós , de Park Kwang-su

Foto: Reprodução

Data: 19 de fevereiro e 1 de março de 2026

Local: Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana

Ingressos: Gratuito | Distribuídos uma hora antes de cada sessão

Confira a programação completa aqui

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