"Medea depois do Sol" estreia em março no Sesc Ipiranga

Montagem relê o mito de Medea sob a ótica da violência de gênero na América Latina.

Medea depois do Sol

Foto: Laercio Luz

"Medea depois do Sol" propõe um teatro poético-político, que transforma a narrativa mítica de Medea em caminho para reflexão crítica sobre a violência contra as mulheres no Brasil e na América Latina. Inspirado em Medea, da mítica grega, o espetáculo Medea Depois do Sol estreia e cumpre temporada no Sesc Ipiranga, propondo uma leitura da personagem, a partir de temas como: Violência de gênero, colonização latinoamericana e ecofeminismo.

Com texto inédito da dramaturga feminista Luciana Lyra, que também atua sob a máscara da personagem título, a montagem desloca de forma fabular, a Medea da Grécia antiga para um contexto brasileiro/latino, articulando maternidade, filicídio, colonização e evidenciando camadas históricas de opressão sobre o corpo de mulheres e o corpo da terra. A cena investiga Medea como símbolo da maternidade em seu limite extremo e, ao mesmo tempo, como figura sobrevivente de um trauma continental.

Celebrando 30 anos de atuação de Luciana Lyra no teatro brasileiro, o espetáculo, também resultado de um pós-doutorado realizado por ela na Tisch School of the Arts, da New York University (NYU), toma como disparo: Experiências pessoais da autora acerca da maternidade; suas pesquisas com as mulheres guerreiras em Tejucupapo, na Zona da mata de Pernambuco e, por fim, trocas realizadas com coletivos de mulheres artivistas em São Paulo (Cia. Capulanas de Arte Negra), Recife (Grupos Totem e Loucas de Pedra Lilás), Rio de Janeiro (Madalenas-Anastácias/CTO) e Quito-Equador (Coletivo Yama). Dessa escuta emerge em Medea depois do Sol, a ideia de motim e de levante de mulheres em resistência.

Medea depois do Sol

Foto: Laercio Luz

"É na ideia de motim/levante, inspirada nas guerreiras de Tejucupapo (PE) e nos atuais coletivos de mulheres artivistas, que emergem, a minha visão, as estratégias para a retomada do poder das mulheres sobre seus corpos, seus pensamentos e o curso de suas próprias estórias. Resultado de aprofundada pesquisa de pós-doutorado que fiz na Tisch School of the Arts, da New York University (NYU), sob a orientação da renomada Profa. Diana Taylor, Medea depois do Sol encerra um ciclo de atuação/dramaturgia autorais tendo a Mãe como tema”, explica a dramaturga e atriz Luciana Lyra.

No elenco de Medea depois do Sol, além de Lyra, conta-se com a participação da atriz-musicista Lisi Andrade. A direção é assinada por Ana Cecília Costa e Kátia Daher. A trilha sonora reúne músicas originais de Alessandra Leão e Luciana Lyra, e outras citações de domínio popular, com trilha sonora também original de Erika Nande. A equipe criativa conta ainda com Leusa Araujo (dramaturgismo), Renata Camargo (direção de gesto e movimento), Carol Badra (figurino) e Camila Jordão (cenografia e iluminação), tendo a direção de produção de Franz Magnum.

“Medea depois do Sol busca provocar uma reflexão crítica, um abalo nessa estrutura falocentrada da sociedade brasileira/latina. Montamos uma navegação às avessas, em que Medea empreende seu retorno à terra natal, Yewá, recontando sua própria história de opressão e antevendo um acerto de contas com seu avô, o Sol.”, finaliza Lyra.

Ficha Técnica

Concepção, dramaturgia e atuação | Luciana Lyra
Participação da atriz-musicista | Lisi Andrade
Direção | Ana Cecília Costa e Kátia Daher
Dramaturgismo | Leusa Araujo
Direção de gesto e movimento | Renata Camargo
Músicas originais | Alessandra Leão e Luciana Lyra
Trilha sonora original | Erika Nande
Mix e master da trilha gravada | Katia Dotto
Figurino | Carol Badra
Assistente de figurino | Giuliana Foti
Cenografia e Iluminação | Camila Jordão
Assistente de iluminação | Laysla Loyse
Assistente de cenografia | Driélly Moyanno
Cenotécnico | Marcelo Andrade
Projeto gráfico | Lisa Miranda
Mídias sociais | Bruna Louise e Lisa Miranda
Fotos e vídeo | Laércio Luz
Assessoria de Imprensa | Besseler Comunicação
Direção de produção | Franz Magnum
Produtora associada | Magnum Opus Cultural
Idealização e produção geral | Cia. Rubi 44

* Demais vozes em off d‘As Marinhas, em canções da peça de: Lisi Andrade, Kátia Daher e Luciana Lyra.

* Trechos musicais: Yewá (ponto de candomblé), Carmencita e Não há mata que eu não entre (pontos de umbanda); Dorme, dorme menininho (recolhida na Missão de Pesquisas folclóricas coordenada por Mario de Andrade, em Belém (PA), 1938); La Maldicion de Malinche, de Gabino Palomares (1975).

MEDEA DEPOIS DO SOL

Medea depois do Sol

Foto: Laercio Luz

Temporada: 06 a 29 de março
Horário: Sextas, às 21h30 | Sábados e Domingos, às 18h30
Local: R. Bom Pastor, 822 - Ipiranga
Ingressos: R$50,00 (inteira) | R$25,00 (meia) | R$15,00 (credencial plena)
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos

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