Espetáculo "Escola Modelo" reestreia no Teatro VIVO e retoma debate sobre racismo e educação no Brasil
Montagem reflete as estruturas sociais sob diferentes perspectivas.
Foto: Camilla Rios
Dirigido por Fernando Vilela, o espetáculo Escola Modelo propõe uma reflexão direta sobre racismo estrutural, ações afirmativas e os impasses da educação brasileira. A montagem, protagonizada por Pedro Granato e Letícia Calvosa, reestreia no Teatro VIVO.
A dramaturgia de Bruno Lourenço se constrói a partir do embate entre o privado e o público, o sonho e o trabalho, articulando referências de pensadores como Sueli Carneiro, Cida Bento e Lívia Sant’anna Vaz.
Foto: Camilla Rios
“Como estudante negra, sei que a formação escolar é um momento de muitas descobertas sobre o mundo e sobre si. Um momento delicado que, se não for bem experienciado pelo aluno, pode apagar suas potencialidades e história. O racismo estrutural se apresentou pra mim nesse processo com professores sem letramento racial, com materiais didáticos pensados pela branquitude e para a branquitude, sem referências onde eu me visse representada”, conta a atriz.
Foto: Camilla Rios
Para Granato, que implementou cotas raciais em programas educacionais e levou escolas para as periferias durante sua atuação no poder público, também é preciso questionar sobre a forma que algumas instituições têm inserido alunos em seus espaços.
Incomoda quando essas mesmas escolas que por décadas segregaram agora buscam, à custa de muito dinheiro, se colocar como pioneiras da luta antirracista. Meu foco central é a defesa de uma transformação estrutural, política de nossa desigualdade racial. E que possamos também aprofundar esse debate encontrando as sombras do processo para não se transformar em algo maniqueísta que serve mais para redes sociais que transformações reais, reflete.
Foto: Camilla Rios
A criação do texto partiu de duas forças condutoras, segundo Bruno Lourenço. “O privado (relatos pessoais, pensamentos, reflexões) e o público (poder público, leis, instituições). Tudo isso permeado pelo discurso de raça e gênero, que atravessa o espetáculo, e a oposição fundamental entre trabalho e sonho (segundo a semiótica discursiva de Greimas)”, explica.
A peça se desenrola em uma ambientação que mescla elementos de sala de aula com a linguagem da contação de histórias, permitindo ao público uma imersão profunda nas reflexões propostas. Através do Teatro Épico de Bertolt Brecht, a encenação busca criar um distanciamento que possibilita o pensamento crítico, convidando os espectadores a questionar as estruturas sociais e educacionais vigentes.
“Se estamos aqui hoje discutindo a desigualdade racial, o plano de ensino nas escolas, a estrutura da educação, uma pergunta que se lança é: qual o modelo educacional que gostaríamos de ter, que fosse comum a todos, para os próximos anos? O público é parte fundamental da discussão. Pois é a partir dele, pela sua identificação, que podemos elaborar juntos novos caminhos a serem tomados, quanto sociedade, quanto país”, diz o diretor Fernando Vilela.
Foto: Camilla Rios
A cenografia, inspirada no filme Dogville de Lars von Trier, utiliza módulos rotativos que lembram lousas escolares, criando um espaço versátil que se transforma em diferentes ambientes conforme a narrativa avança. Cadeiras coloridas infantis dispostas entre o público reforçam a atmosfera escolar, enquanto os elementos cênicos provocam sobre as relações de poder e as dinâmicas sociais presentes no contexto educacional.
Ficha técnica:
Elenco: Pedro Granato e Letícia Calvosa
Direção: Fernando Vilela. Dramaturgia: Bruno Lourenço
Desenho de luz: Ariel Rodrigues
Direção de arte: Fernando Vilela
Figurino: Thais Sakuma
Preparação Vocal: Malú Lomando
Técnico de Palco e Técnico de Som: Diego Leo
Técnico de Luz: Ariel Rodrigues
Produção Executiva: Julia Terron
Assistência de Produção: Diego Leo
Fotos Divulgação: José de Holanda
Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes
Produção e Realização: Jessica Rodrigues Produções e Pequeno Ato
Direção de Produção: Jessica Rodrigues e Carolina Henriques
Ficha Técnica do Teatro Vivo:
Curadoria e gestão: ANDRÉ ACIOLI
Coordenação operacional: ELIS BRAGA e TÂNIA PAES
Coordenação técnica: CLEBER ELI
Técnicos auxiliares: BRUNO MAGIRO e MATHEUS XAVIER
ESCOLA MODELO
Foto: Camilla Rios
Data: 28 de fevereiro a 29 de março de 2026
Horário: Sábados, às 20h | Domingos, às 18h
Local: Av. Chucri Zaidan, 2460 - Morumbi
Ingressos: R$ 80,00 (inteira) | R$ 40,00 (meia) | Compre aqui
Classificação: 14 anos
Duração: 75 minutos
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