Isabel Teixeira dirige a Cia. Mungunzá em seu mais recente trabalho.
Foto: Roberto Setton
Uma teia permeada por oito histórias criadas por atores-escritores; as histórias se passam em diferentes tempos e espaços e flertam com linguagens cênicas plurais. Elã é o novo trabalho da Cia. Mungunzá de Teatro, dirigido por Isabel Teixeira. O espetáculo estreou no Sesc Pompeia e agora ganha uma nova temporada no Teatro de Contêiner.
A dramaturgia foi criada pelos sete integrantes da companhia - Léo Akio, Lucas Beda, Marcos Felipe, Pedro das Oliveiras, Sandra Modesto, Verônica Gentilin e Virginia Iglesias - e por Dilma Correa, convidada para este trabalho (mãe dos atores Marcos e Pedro). O método de criação foi A Escrita na Cena®, desenvolvido e registrado por Isabel Teixeira.
A trama costura as oito histórias criadas de forma coletiva, a partir da pulsão individual de cada artista. As histórias se passam em diferentes linhas espaço-temporais, que vibram simultaneamente. São elas:
Foto: Roberto Setton
Um andarilho, dentro de um jogo de videogame, através dos diferentes tempos da linha da sua vida, tenta se livrar de uma herança ancestral deixada pelo seu pai. Um ator - vendedor de morangos - tenta convencer uma renomada diretora a dirigir seu próximo espetáculo, incluindo sua mãe no elenco. A mãe entra no espetáculo dirigido pelo filho e, cena após cena, vai se libertando do papel que lhe foi imposto. Uma mulher, após construir uma família de alta performance, decide matar a família, para realizar seu sonho de ser cantora de boate, honrando sua avó, vítima da Guerra Civil Espanhola.
Uma mãe, enquanto enfrenta o luto e cria os filhos, reacende a sexualidade reprimida em suas ancestrais, através de uma retomada do poder feminino. Um homem descobre, na morte, o maior empreendimento capitalista de todos os tempos: a empresa “Animador de Velórios”. Uma mulher, convencida de ser uma aranha tecendo o destino do mundo, tenta impedir uma explosão, voltando no tempo e manipulando cada passo dos envolvidos. Um homem-bomba, ao se explodir, deixa pistas para sua filha, guiando-a por um outro olhar sobre o mundo.
Segundo a diretora Isabel Teixeira, não há hierarquia entre as histórias. “Não há história protagonista. Mais do que destacar um ponto de vista individual, o processo teatral, aqui, protagoniza o espaço, uma ambiência, que rege o movimento, organiza os corpos e define os ritmos da narrativa. As histórias são um exercício de fabulação; fabular é algo inerente a qualquer ser humano. A sua fabulação é tão potente e poderosa quanto a minha e quanto a de uma criança, que para na praça pra ver um teatro de rua, por exemplo”, revela.
Foto: Roberto Setton
Para deixar essa experiência cênica ainda mais interessante, as narrativas transitam entre diferentes gêneros, de acordo com as pulsões propostas por cada criador. Em alguns momentos, a peça tem encenação mais naturalista e dramática; em outros, flerta com os universos dos musicais e da performance. “Mas, a palavra é sempre o foco do trabalho”, ressalta a diretora.
Outro aspecto importante da montagem é a dimensão musical e sonora. Ao longo da encenação, uma paisagem sonora vai sendo tecida gradualmente, por meio do acúmulo de elementos: sons cotidianos, ruídos, texturas e fragmentos melódicos compõem um ambiente que atravessa as cenas. Em determinados momentos, essa paisagem se adensa, e transborda em canções - explosões poéticas que condensam tensões e revelam camadas emocionais das personagens.
Ficha Técnica
Direção geral: Isabel Teixeira
Assistência de direção e preparação de elenco: Lucas Brandão
Elenco criador: Dilma Correa (convidada), Léo Akio, Lucas Bêda, Marcos Felipe, Pedro das Oliveiras, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias
Participação especial: Miranda Caltabiano Bannai
Dramaturgia a partir da Escrita na Cena®: elenco criador e direção
Direção de movimento: Castilho
Direção musical: Dani Nega e Isabel Teixeira
Produção musical: Dani Nega
Arranjos, colaboração e preparação musical: Flávio Rubens e Renato Spinosa
Gravação sax, guitarra, harpa e violão: Gabriel Moreira
Composições originais: Jonathan Silva
Música de saída “O romance, o sorriso e a flor”: Renato Teixeira
Operadora e técnica de som: Paloma Dantas
Operador de microfones: Samuel Gambini
Desenho de Som: Bruno Castro
Desenho de Luz: Wagner Freire
Operação de Luz e Vídeo: Lucas Brandão
Cenografia: Isabel Teixeira, Lucas Bêda e elenco criador
Cenotécnicos: Fábio Lima e Zé Valdir Albuquerque
Vídeos: Pedro das Oliveiras
Figurinos: Joana Porto e Rogério Romualdo
Costura ciclorama: Coletivo Tem Sentimento
Visagismo: Fabia Mirassos
Auxiliar de visagismo: Isabelle Iglesias
Instrutor de escalada: Luciano Iglesias
Fotos divulgação: Roberto Setton
Assistente de fotografia: Alírio de Castro
Registro audiovisual: Bruno Rico
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Identidade visual: Isabel Teixeira e Léo Akio
Design gráfico: Léo Akio
Produção: Tati Caltabiano
Assistente de produção: Roberta Araújo
Produtor associado: Gustavo Sanna - Complementar Produções
Realização: Cia. Mungunzá de Teatro e 41ª edição da Lei de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo - Secretaria Municipal de Cultura
ELÃ
Foto: Roberto Setton
Temporada: 24 de Outubro a 17 de Novembro de 2025
Horário*: Sextas e Segundas | Sábados, às 19h | Domingos, às 11h
Local: R. dos Gusmões, 43 - Santa Ifigênia
Ingressos**: Gratuitos | Reserve aqui
Classificação: 16 anos
Duração: 120 minutos
Acessibilidade: espaço acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
*Sessão do dia 01 de Novembro (sábado), será às 11h
**Ingressos presenciais distribuídos 1h antes de cada sessão
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